Entrevista Marcos Semola

Entrevista Marcos Semola

Entrevista ao Marcos Semola para o fotografiaderua.com.

1. Quem é Marcos Semola?

Marcos Sêmola, Brasileiro nascido em 1972 na cidade do Rio de Janeiro, mas também cidadão Italiano pela dupla cidadania. Profissional de tecnologia da informação, engenheiro de computação, professor de MBA, autor de livros sobre gestão de riscos da informação, síndico do edifício onde mora, pai de duas crianças lindas, adepto da vida saudável pela prática desportiva, autodidata e fotógrafo, este, amador pela simples concepção do termo. É ainda membro da ABAF – Associação Brasileira de Arte Fotográfica e da London Independent Photography.

2. Como começou com a fotografia?

Tudo começou em 2007, dois anos depois de ter me mudado para a Europa, mais especificamente Londres, para dirigir uma multinacional de tecnologia e fui mordido pelas belas paisagens e cenas cotidianas que a cidade londrina oferece e que se mostraram tão diferentes do que estava acostumado a ver no Rio de Janeiro. O começo foi despretensioso e com a câmera que já me acompanhava há tempos, mas sempre restrita aos registros de viagem e da família. Até que uma visão diferente sobre o que acontecia ao meu redor passou a me interessar e assim iniciei um processo de estudos e experimentos que envolveram leituras especializadas – a começar pela trilogia de Ansel Adams – passando por antigos livros de fotografia analógica que encontrava nas convidativas livrarias londrinas ao retornar do trabalho. Naturalmente achei que precisava de um equipamento novo e assim passei – felizmente bem mais rápido que a maioria dos fotógrafos – pela fase da admiração e da inquietude técnica, quando acreditava ser a câmera a principal responsável pela boa fotografia. Passado por este turbilhão e já inclinado a fotografar em preto e branco por razão até então desconhecida, me interessei em estudar a ótica e a lógica por trás da produção da imagem, o que me levou a desejar o processo analógico do filme 35mm e assim a procurar equipamentos antigos que me permitissem uma instigante experiência prática.

Esta fase parece ter sido a fronteira que me ancorou de vez na fotografia em preto e branco, apesar de, vez por outra, realizar experimentos em cores sempre dessaturadas. Porém, ainda nesta época sentia a necessidade de fotografar praticamente tudo em formato vertical, portrait, e sem qualquer elemento humano no frame. Ainda sem uma explicação – talvez pela simples prática e observação – esta preferência mudou completamente e em pouco tempo já estava precisando de gente nas imagens e, desta vez, fotografando cada vez mais no formato horizontal, landscape.

Saudosista que sou, passei a gostar da característica atemporal que normalmente a fotografia preto e branco sugere. Maximizada pelo ambiente bucólico Londrino fui mais fundo procurando filmes que me oferecessem uma plástica mais dramática, com ruído, grande range de tons de cinza e uma atmosfera de fotografia de cinema. Foi quando descobri que o que, de fato fazia, era fotografia de rua. Gostava de caminhar sem destino atento aos personagens da cidade, nas variações de sombra e luz, na dramaticidade do céu, no “plano de fundo” em que pudesse inserir um personagem que estivesse caminhando na rua sem sequer pedir que o fizesse, mas simplesmente movendo-me ao redor dele e depois em direção a ele.

Conheci Henri Cartier-Bresson pelos livros e sem querer, de fato, encontrar preliminarmente referências para me espelhar, senti que já estava próximo de seu estilo – não de seu talento – e o que faço agora é continuar andando à sua sombra.

3. Qual é o seu objetivo com a fotografia?

Actualmente a fotografia representa meu hobby, uma atividade prazerosa e que me mantém longe – por algum tempo – do ambiente binário da tecnologia e dos ambientes corporativos, permitindo-me ousar mais, onde não há, de fato, certo ou errado e, principalmente, onde tenho liberdade total para fazer o que quero, do jeito que quero e quando quero.

É fotografia autoral pura e onde encontrei espaço para interagir com outros artistas, para conhecer outras técnicas, promover iniciativas coletivas, modelar e produzir novos projetos e ainda vencer limites geográficos e barreiras linguísticas, tornando-me um indivíduo mais acessível e globalizado. De qualquer forma, minha veia competitiva e visão de negócio que, por mais de duas décadas como gestor e profissional de tecnologia me acompanham, me fizeram também pensar em tornar o hobby sustentável capaz não só de subsidiar meus projetos e o próprio desenvolvimento da minha fotografia, mas também  de mostrar minha produção, afinal, fotografia, ao meu ver, tem que ser vista.

Assim sendo, meu objetivo atual é a busca do prazer e da diversão que o hobby oferece, produzindo imagens autorais que possam divulgar a arte fotográfica e que encontrem seus próprios canais para serem vistas, admiradas e, por que não, consumidas através de galerias de arte, iniciativas publicitárias e projetos multidisciplinares.

4. Como descreve o seu estilo fotográfico?

Depois de mudanças de percurso nos primeiros anos de prática fotográfica, posso dizer que busco realizar fotografias de rua que sejam dramáticas, por vezes com apelo publicitário onde há supostamente espaço para textos, em preto e branco, filme ou digital, que obrigatoriamente tenham o elemento humano e possam sugerir uma atmosfera noir, ou seja, que capture um ambiente de suspense inspirado nas raízes na cinematografia do expressionismo alemão. Significa dizer que normalmente procuro fotografar em dias de chuva, com nevoeiro ou mesmo dias de sol forte em busca do alto contraste.

5. Como pratica a fotografia de rua?

Como possuo equipamentos diferentes incluindo polaroids, lomos, filme e digital, sempre sou influenciado pela estética da minha fotografia, descrita acima, e pelas condições do local onde vou fotografar, por exemplo, se são ruas apertadas, com muita ou pouca gente, sob que condições de luz etc, antes de escolher a melhor ferramenta. De qualquer forma, em linhas gerais, saio com uma lente grande angular por gostar de estar bem próximo ao assunto, ou seja, dentro da cena. As condições de luz e principalmente o propósito estático que defini para o dia me ajudam a determinar se adotarei prioridade de abertura ou prioridade de velocidade, se uso a distância hiperfocal ou se subo ou puxo a sensibilidade do filme ou sensor. De posse da grande angular, comumente posiciono a câmera na altura do peito e caminho à procura de um personagem ou cena, e assim me desloco ao redor do alvo para encontrar uma condição de fundo ideal, sem comprometer ou para favorecer a composição quando então me aproximo muito, cerca de 1 a 2 metros e disparo sem o uso do viewfinder. A prática dessa técnica e o conhecimento do ângulo de captura da objetiva já me permitem enxergar o frame capturado sem nem mesmo olhar o visor, mesmo que por vezes tenha que fazer um pequeno corte na fase de pós-produção. Quando o equipamento em uso é uma objetiva 50mm ou mais longa, o uso do visor passa a ser parte do processo. Ah! Gosto de amigos mas sempre fotografo só.

Já sobre o comportamento que adoto na rua, mesmo respeitando os fotógrafos que fazem diferente, não interajo com o fotografado. Não peço permissão. Não anuncio, mesmo que por linguagem corporal, que irei fotografá-lo ou mesmo deixo-o explicitamente saber que já o fotografei. Procuro não interferir na cena que imaginei, enxerguei e vou capturar. O que habitualmente faço é dar um largo sorriso depois do clique e logo me distancio ou desvio o olhar para reduzir as chances de reação, questionamento ou algo parecido. Mais uma vez a prática de fotografar estranhos na rua vai nos ensinando truques e entre eles posso citar o de imaginar um enquadramento, enxergar seu personagem se aproximando, se posicionar enquadrado e esperar que ele entre no frame clicando em seguida e mantendo a câmera à postos, fazendo até outras fotos, até que o personagem saia do frame, o que dá ao fotografado a sensação de não ter sido o alvo da captura.
Mesmo assim, a coisa pode não correr como planejada e para situações e que se percebe a reação negativa ou mesmo agressiva do fotografado, me preparo realizando outra imagem qualquer enquanto a pessoa se aproxima para, se questionado, mostrar-lhe uma imagem (se estiver com equipamento digital, claro) em que não apareça ou então contar-lhe uma bela história e lhe dar  meu cartão de visitas com a promessa de lhe fazer chegar uma cópia da imagem. Por hora, tudo isso vem funcionando bem, sem um único caso frustrado para contar.

6. Alguma palavra sobre as suas ferramentas de trabalho?

Poucas, visto que não acredito na boa fotografia dependente exclusivamente do equipamento. Em linhas gerais, cada equipamento tem uma característica, tem limitações e cabe ao fotógrafo conhecê-las para avaliar se conseguirá o resultado e a estática fotográfica que idealizou e, assim, dominá-lo para que execute a tarefa sem pensar na operação, mas sim, dedicar-se ao assunto, à luz e à composição. Gosto de lentes claras, grande angulares que podem variar de 12mm a 35mm, gosto também de lentes fixas principalmente das fantásticas objetivas 50mm que nos ensinam à cada exercício prático. Gosto de filmes com alto contraste e grãos proeminentes. Gosto de equipamentos leves e silenciosos. Gosto de straps práticos que ofereçam bom equilíbrio do equipamento e que nos deem mobilidade e ação rápida. Gosto da fotografia analógica quando tenho tempo e o local da fotográfica proporciona cenas mais previsíveis (por conta da luz, do movimento, dos espaços) e, do digital, quando o cenário muda e posso precisar de maior velocidade de focagem e múltiplos frames em um curto espaço de tempo.

Quando em modo filme, não gosto de medidores de luz e adoro praticar a regra de medição Sunny- f/16 onde cada erro é um acerto e um aprendizado. Assim, procuro observar e ler a luz do momento e usando referências com as quais vamos nos familiarizando com o tempo e a prática, e o processo se torna prazeroso e eficaz.  Gosto do processo de revelação mesmo que este acabe sobre um scanner de negativo para então ser digitalizado e passar pelos pequenos ajustes de contraste, brilho e crop que comumente aplico através do Adobe Lightroom. Gosto de pensar em preto e branco, exercitar a visão também em tons de cinza e fotografar sempre em monocromático, seja filme ou digital, pois para mim o mindset já deve estar pronto antes de idealizar a imagem e clicar, por achar que não existe espaço para se mudar de ideia durante ou depois da captura feita e mesmo assim conseguir um resultado tão forte. Gosto de planejar e pensar em projetos, estéticas, assuntos com antecedência, mas também de abortá-los instantaneamente só por ter encontrado tudo diferente quando estou de fato nas ruas com a câmera nas mãos.

7. Como se posiciona comercialmente, se é que o faz?

Minha relação comercial com a fotografia começou relativamente cedo por puro ímpeto de superar o que parecia ser mais um desafio semelhante aos muitos que encontrara no trabalho de tecnologia há décadas. Poucos meses depois de iniciar o hobby, ainda no ano de 2007, ouvi da minha esposa que um fotógrafo profissional de Londres que conhecera em uma festa, tinha como sonho ser aceito e convidado a assinar um contrato de comercial com o maior banco de imagens comerciais do mundo, a Getty Imagens. Dito e feito. Acreditando, inocentemente, já possuir experiência e competência para tal, assumi o fato como uma missão e tratei de selecionar o que acreditava ser o melhor da minha produção para então submeter à empresa. Para minha surpresa, depois de passar pelo crivo técnico que impõe arquivos em altíssima resolução e de apenas um pequeno grupo de equipamentos homologados, e ainda ter seis das dez imagens que submeti recusadas por motivos diversos, fui convidado a substituí-las e assim assinar meu primeiro contrato comercial. Desde então venho comercializando imagens da minha produção autoral através do portal global da Getty, o que rende receita recorrente mensal e já fez minhas fotografias chegarem a mais de 15 países para os mais diversos fins publicitários, culminando com a capa de livros publicados por editora norte americana e o The Wall Street Journal.

Adicionalmente me interesso pela fotografia como expressão de arte e por isso, acredito merecer espaço ao lado de pinturas e esculturas nas galerias de arte. Assim, iniciei um movimento de expansão em que identifico galerias com perfil compatível com o meu momento fotográfico, meu estilo e meus planos. Como resultado, opero com a marchand Susi Cantarino da galeria Metara em Ipanema, Rio de Janeiro, que representa no Brasil parte da minha produção em grande formato, sobre suporte alemão de algodão museológico, pigmento mineral, assinada, com tiragem controlada e certificado de autenticidade. Enquanto isso, outras negociações estão em andamento em Nova York, Londres e Paris em modalidade similar. Mesmo com uma visão realista, apesar de influenciada pelo excesso de autoconfiança, acredito que minha produção fotográfica mereça algum espaço e visibilidade aos que procuram o que agora convencionei chamar de fotografia B&W classic-noir. Enfim, só o tempo irá dizer se estou certo ou não, mas qualquer que seja o resultado dessa história, acredito que o puro ato de pensar a fotografia já terá valido a pena.

8. Quais foram suas principais realizações?

Particularmente já foram muitas, considerando que tudo começou sem grandes aspirações e planos. Ainda enquanto morava na Europa, agora em Haia na Holanda depois de passados três anos em Londres, participei de uma exposição coletiva na principal casa de cultura da cidade.  Em seguida fui convidado a expor no FotoArte2007 e assim enviei todo o material para o Brasil onde fiquei exposto na Biblioteca Nacional em Brasília. Quando retornei de vez ao Brasil, já em 2009, fui presenteado pelo interesse da Oi Futuro através do, agora amigo, Pedro Agilson, em realizar uma exposição individual intitulada Transitivo Direto que foi também coroada por uma bela entrevista de sete páginas concedida à revista Photo Magazine, atualmente a melhor revista de fotografia-arte do país.

Depois disso, as coisas passaram a acontecer quase que naturalmente. Montei um portfolio online em www.s4photo.co.uk, publiquei diversos livros de fotografia on demand, experimentei a fotografia publicitária com a produção de capas de revistas, livros e jornais como o The Wall Street, participei de inúmeros coletivos como o FotoRio2007, a Semana Fluminense de Fotografia, o ArtRio2011, varal do fotoclube RioFotográfico, o projeto Foto Escambo do amigo Hans George e o projeto multimídia Canela Lente e Pincel. Liderei o projeto mundial Worldwide PhotoWalk em 2011 no Rio, realizei minha principal exposição individual com o projeto Transitivo Direto no CCJF – Centro Cultural Justiça Federal e, mais recentemente, coordeno o projeto que idealizei para celebrar o Dia Mundial da Fotografia chamado Mosaico Minuto, e que tem a ambiciosa meta de reunir mil fotógrafos pelo mundo clicando no mesmo instante (www.facebook.com/mosaicominuto).

A produção, de fato, não para, mesmo que o tempo livre seja cada vez mais escasso. Neste momento estou expondo junto com outros fotógrafos internacionais em Bagdá, no Iraque pelo convite do amigo e curador Rui Palha de Portugal, em apoio à ONG Larsa Human Rights NGO, uma organização que se dedica a apoiar crianças desprotegidas e órfãos de guerra no Iraque, um organismo acreditado e apoiado pela própria ONU. Além disso, já foram confirmadas as exposições coletivas do projeto Mosaico Minuto de 2011 e 2012 no CCJF e a exposição do projeto Caneta, Lente e Pincel também neste mesmo centro cultural. Participo ainda da maior exposição coletiva na Praça Paris em março de 2012, no Rio de Janeiro.

Não posso esquecer que também obtive a aprovação dos projetos autorais Vulto (www.s4photo.co.uk/vulto) e Favela Rio (www.s4photo.co.uk/favelario) pela Lei Rouanet de Incentivo Cultural e que agora estão em fase de captação para exposição e produção de livro em 2013. Quanto às galerias de arte, orgulho-me de ter a produção fotográfica muito bem aceita por colecionadores, decoradores e admiradores da arte fotográfica, nacionais e internacionais. Enquanto escrevo essas linhas, outras ideias estão amadurecendo e algumas mais estão tomando forma em um ciclo natural de fomento à arte fotográfica. Tudo isso e muito mais pode ser visto em www.s4photo.co.uk.

9. Tem alguma fotografia favorita?

Sim, mas esta classificação parece ser dinâmica, o que convém chamar de “fotografia favorita do momento”. Atualmente duas fotografias me orgulham muito. A primeira feita em filme Kodak Professional Tmax 400 B&W 35mm com a minha antiga Leica IIIc fabricada em 1938 durante uma viagem de trem na Holanda. Ela reúne os principais elementos que representam meu estilo fotográfico: uma bela jovem em expressão espontânea de relaxamento em suposto trajeto de retorno do trabalho diante da janela do trem, o que acabou por favorecer a formação de alto contraste e sombras ricas em tons de cinza, cercada por detalhes da cabine que foram se perdendo na escuridão do restante da cabine. Noir puro! A segunda fotografia, feita em digital com a Nikon D200 e lente 50mm em um parque londrino, reúne não apenas elementos marcantes do meu estilo como a perspectiva, mas também carrega uma carga de oportunidade.

Imaginei a composição que incluía uma velha casa na curva arborizada do parque, mas faltavam elementos humanos. Enquadrei e por alí esperei por duas dezenas de minutos aguardando surgir algum personagem interessante para compor a cena. Foi quando entraram no frame cinco crianças lindas, de idades diferentes, vestidas tradicionalmente em trajeto de retorno da escola saltando pedras que estavam no caminho. Da mesma forma que surgiram, desapareceram e sequer notaram a minha presença, mas foi assim que consegui esta imagem forte que é, ao mesmo tempo sombria e iluminada pelos pontos de luz adicionados pelos uniformes brancos e a sensação de movimento trazido pelas crianças. Como é de se esperar, selecionar seu melhor trabalho é um dos maiores desafios de um fotógrafo. Cada fotografia carrega uma carga de emoção e história que cercaram a cena e não estão, necessariamente, capturadas no frame, mas o fotógrafo continua enxergando. Assim, procurei primeiro 24 e agora 48 fotografias que pudessem expressar minha visão da fotografia de rua, meu gosto pessoal e o modelo estético que procuro descobrir e capturar nas minhas saídas. Estão aqui as imagens que hoje compõem meu porftolio online em www.s4photo.co.uk.

10. Fale-nos sobre os seus projectos.

Posso dividir meus projetos entre autorais, experimentais, coletivos de caráter social e sem fins lucrativos que procuram fomentar a arte fotográfica e ainda os comerciais.

Autorais:

Experimentais:

Coletivos e sociais sem fins lucrativos:

Comerciais:

11. Onde podemos acompanhar sua produção fotográfica?

Apesar de manter canais online que se complementam e se interconectam, além da Galeria Metara que me representa em Ipanema, à Rua Teixeira de Melo 25, Rio de Janeiro, o ponto de partida deve ser através dos sequinte link, de onde todo o restante se deriva: http://about.me/marcossemola.

12. Quais são as suas referências?

Resisto quase que instintivamente a me agarrar a referências para explicar a minha fotografia, portanto, limito-me a dizer que observo muitas expressões de arte, mesmo fora do meu universo estético, revisito obras dos grandes mestres da fotografia clássica, especialmente em pequeno formato, preto e branco, street, mas sinto-me bem à vontade para referenciar fotógrafos e amantes da arte que, de uma forma ou de outra, têm uma rica produção fotográfica, conduzem projetos e iniciatives que merecem ser acompanhadas por terem também o legítimo interesse em fomentar a arte da fotografia. São eles:

  • Fernando Rabelo – www.imagesvisions.blogspot.com
    Editor do blog ‘Images&Visions’, um dos mais ricos e úteis repositórios sobre a história da fotografia.
  • Ivan de Almeida – http://fotografiaempalavras.wordpress.com
    Editor do blog ‘Fotografia em Palavras’ que com extrema competência consegue me fazer pensar na fotografia sob outra ótica e com quem dialogo e compactuo em grande sinergia.
  • Rui Palha – www.ruipalha.com
    Fotógrafo lisboeta autor de imagens fantásticas que muito se assemelham ao meu gosto estético e prático de fotografar.
  • Rui Pires – http://ruipires.1x.com
    Curador e experiente fotógrafo de médio formato responsável por imagens fascinantes em preto e branco que me inspiram.
  • Markus Hartel – www.markushartel.com
    Fotógrafo que vem disseminando a arte da fotografia de rua com sucesso através de uma abordagem consistente na Internet.
  • Ansel Adams – www.anseladams.com
    Fotógrafo e autor da trilogia: ‘A Câmera’, ‘O Negativo’ e ‘A Cópia’, que me despertou o interesse pelo  mundo da fotografia.
  • Henri Cartier-Bresson – www.henricartierbresson.org
    Fotógrafo de rua que pela similaridade estética de sua produção fotográfica com meus interesses pessoais, se mantém no topo da minha lista das referências inspiradoras.
  • Vivian Maier – www.vivianmaier.com
    Sua história de vida rica em experiências fotográficas a tornou uma fonte de inspiração constante.

13. Tem alguma mensagem para os iniciantes ou mesmo fotógrafos experientes interessados em se iniciar na fotografia de rua?

Seria pura prepotência achar que seria capaz de orientar outros fotógrafos. Primeiro por não ter tanta experiência assim, e ainda por acreditar que cada um tem que encontrar seu próprio caminho, sua forma individual de fotografar e se sentir pleno com a sua produção. Para mim, o maior valor da prática da arte fotográfica é justamente não ter que seguir padrões, é se sentir livre para criar e ousar. É ter a certeza de que não existe, de fato, certo ou errado, mas sim uma coleção de experiências que você pode ir acumulando com o passar do tempo e assim se tornando mais maduro e completo.

Agora, posso sim arriscar dez palpites ligados ao meu estilo e estética fotográfica pessoal que podem ajudar:

  1. Experimente sem limites até encontrar o formato, a prática e o resultado que primeiro agrade a você.
  2. Aprecie expressões artísticas das mais variadas. Isso vai ampliar sua percepção da realidade à sua volta.
  3. Domine os conceitos básicos da fotografia e aprenda e manusear seu equipamento instintivamente.
  4. Antecipe-se reconhecendo o terreno, imagine a composição que pretende obter e vá atrás do seu assunto.
  5. Caminhe atento, procure antever um gesto, uma trajetória, uma atitude e se posicione rápido para o clique.
  6. Aprenda como sua objetiva enxerga ao redor com a distância focal e se aproxime para alcançar o objetivo.
  7. Esteja pronto para mais de um clique a fim de perseguir o momento chave. Tudo é muito dinâmico na rua.
  8. Procure utilizar equipamentos leves, silenciosos e com suportes que ofereçam mobilidade.
  9. Pós-processamento não é pecado, mas procure aprimorar o resultado sem distorcer a originalidade.
  10. Em princípio deixe tudo que é regra, padrão e opinião coletiva de fora da sua intimidade fotográfica.

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