Aproxime-se…

Aproxime-se...

Aproxime-se do seu sujeito

“Se suas fotografias não ficaram suficientemente boas, foi porque não estava suficientemente perto” é provavelmente uma das citações mais famosas da história da fotografia. É atribuída ao fotógrafo de guerra Robert Capa e é um grande exemplo do impacto das palavras tiradas do seu contexto. Na verdade, com esta citação, Capa fez uma comparação com os fotógrafos de guerra que iam para a linha de frente, para aqueles que preferiam não arriscar e ficar na retaguarda aonde o risco não era tão grande. Por outras palavras, para obter uma boa imagem, um tinha de ir aonde a ação decorria.

No entanto, esta citação é hoje frequentemente usada noutro sentido “ficar fisicamente perto do seu assuntos é parte da receita para as melhores fotos”. Foi também com esta ideia em mente que os participantes de um projeto de Fotografia de Rua foram convidados a fotografar próximo aos seus temas durante uma semana inteira. Aqui apresento algumas reflexões de fotografar a uma distância máxima de 2mts usando uma lente de 35mm.

I) Escolha de equipamento

Quando se fotografa num raio de dois metros para com o seu assunto, a sua escolha de lentes será restrita a 35mm ou inferior. Não é que não possa usar uma lente de 50mm, mas neste caso, a maioria das suas fotografias cairia na categoria de retratos de rua. O uso de uma lente de 35mm fica interessante a curtas distâncias, pois permite incluir tanto assunto como o ambiente que rodeia o seu campo de visão. Não é só o assunto que é importante, mas também o que está acontecer na rua em torno dele.

II) Técnica

Eu faço sempre uma pré-focagem da minha lente a 1,5 metros ao caminhar na rua. Esta escolha de distância é o resultado de muitas experiências anteriores, e isso basicamente significa que o meu assunto principal vai abranger cerca de um quarto do campo de visão da lente de 35mm. Obviamente é uma escolha pessoal e faz parte da estética que pretendo dar. Com o tempo, aprendi a ajustar a minha posição para manter essa distância de 1,5 metros. Também me permite ganhar algum tempo pois não necessito fazer a focagem, ganhando assim tempo para conseguir bons espontâneas. Obviamente, que ajusto a focagem quando uma melhor composição pode ser alcançado numa distância diferente.

III) Interação com sujeitos

Ao fotografar entre 1 a 2 metros, basicamente vai entrar no espaço privado do seu sujeito. A menos que se encontre numa zona muito lotada, vai ser detectado na maioria dos casos. Fotografar perto do seu sujeito significa interação, seja ela com um sorriso, um “obrigado” ou uma pequena conversa. Lembre-se que se intrometeu no espaço privado de outra pessoa, por isso mesmo que o que esteja a fazer não seja ilegal, tenha tempo para interagir quando sentir que o deve fazer.

IV) Alguns desafios

Fotografar com grande angulares a distâncias muito curtas traz um conjunto de desafios que deve ter em conta:

– Distorção aparece com uma ligeira inclinação de sua câmara. Caras desproporcionais, mãos grandes, pernas pequenas, são exemplos comuns de distorção induzida por grandes angulares. Portanto, significa que alguma ginástica será necessária para manter a sua câmara em direita, isso apenas e obviamente se a distorção for um problema si.

– A profundidade de campo será muito mais curta. Isto é especialmente verdadeiro para câmaras com grandes sensores, pois a zona de nitidez pode ser de apenas alguns centímetros de comprimento quando localizado a um metro do seu assunto. Focar corretamente pode resultar num desafio, especialmente se gostar de fotografar com grandes abertas.

– Arrastamento pode acontecer quando assuntos em movimento passam por si a curtas distâncias. Como regra geral, e a uma determinada velocidade, o arrastamento pode ser percebido como mais um sujeito que se aproxima da sua lente.

A frase final: resultará em melhor fotografias ?

Em geral, eu diria que chegar mais perto do seu assunto leva a melhor imagem. Este é provavelmente o resultado das minhas preferências pessoais, mas depois de ver milhares de fotos fotografia de rua, eu diria que a proximidade física é muitas vezes a variável comum ás imagens que mais aprecio. Refletindo sobre isso, eu diria que é simplesmente devido ao fato de que a maioria delas mostram uma interação equilibrada entre o sujeito e o seu ambiente em termos de proporções. Adicione a isto o facto de um disparo de muito perto, muitas vezes significar contato visual (ou uma visão detalhada das “expressões” do seu sujeito), para além de ter uma visão privilegiada sobre a psicologia dos seus assuntos e o seu paradeiro.
Afinal não é sobretudo o que fotografia de rua é ?

Foto: pepperoca
Fonte: yanidel.net


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