Entrevista Fidalgo Pedrosa

Entrevista Fidalgo Pedrosa

Entrevista ao Fidalgo Pedrosa para o fotografiaderua.com.

1. Quem é Fidalgo Pedrosa?

Natural de Lisboa, 57 anos, formação e profissional de electrotecnia na área comercial.
Faço fotografia por paixão, para ser feliz e como forma de expressão artística e comunicação com os outros.

2 – Quando e como foi o seu primeiro contato com a fotografia?

Comecei a fotografar em 1975, em pleno “PREC”, na sequência da “Revolução dos cravos” em 25 de Abril de 1974.
A criação fotográfica apareceu de forma natural e espontânea e, embora como reflexo da consciência social que então se vivia, foi, acima de tudo, uma forma de expressão individual e parte do “processo” de afirmação e transição para a vida adulta.

3 – Desde então foi um processo contínuo até hoje ou houve interregnos?

Entre 1975 e 1981 fotografei de forma intensa e apaixonada.
Nos 28 anos que se seguiram, devido à necessidade de concentrar esforços na vida profissional e no apoio à estrutura familiar, houve um interregno, contudo, embora com menos regularidade, nunca deixei de fotografar.
Em 2008 retomei a arte fotográfica.

4 – Com que área de fotografia mais se identifica ou prefere trabalhar?

Gosto de fotografar no exterior e mais concretamente no meio urbano.
O insólito, os instantes decisivos, a relação diferenciada de escalas, as pessoas e a sua vida quotidiana, as coincidências, as casualidades fortuitas, o ser humano no ambiente envolvente gráfico, volumétrico, ou composição estética equilibrada, interessam-me.
A arquitectura, os grafismos urbanos, os contrastes de texturas e formas são também objecto do meu interesse.
No meio rústico faço, essencialmente, registo dos rostos marcantes das valorosas gentes que trabalham o campo.

5. O que deseja transmitir através da sua fotografia?

Gostaria de transmitir emoções, provocar sentimentos e sensações.
Poder “intervir” na consciência de sermos humanos e sociais é algo que me é grato imaginar que alguma vez tenha conseguido.
Se alguém ao visualizar uma fotografia minha obtém sensações (mesmo que sejam apenas estéticas), emoções ou verifica factos, então considero uma imagem conseguida.
Entendo que a arte fotográfica pode ajudar a melhorar a sociedade, inovando-a e alertando-a para acontecimentos, atitudes e comportamentos humanos, possibilitando aos indivíduos e às comunidades maior consciência social, de si e dos outros.

6. Quando está nas ruas a fotografar, o que o inspira a capturar uma determinada cena ou imagem?

A vida e as pessoas.
Os seus encontros e desencontros, a sua forma de comunicar e de agir, a pressão ou a descontração dos dias e da vida, as atitudes, os comportamentos positivos e negativos, a incomunicabilidade, a solidão, o andar com rumo, sem rumo, a ausência espiritual e/ou do espaço físico, a espera por outros ou por ninguém, os sucessos e insucessos, os tempos de nada, os tempos “mortos”…

7. Como sente e pratica a fotografia de rua?

Tento fotografar “o que não se vê”, o que não é físico.
Para mim fotografar pressupõe actualidade no conhecimento do mundo e dos comportamentos individuais e sociais, para assim melhor poder interpretar e antever atitudes e factos.
Uma fotografia está conseguida quando, independentemente das circunstâncias e da técnica, consigo registar emoções, atitudes, coincidências, insólitos, curiosidades, momentos e sentimentos.
Em termos comportamentais, durante o acto de fotografar desloco-me com calma, sem ansiedade, disfruto da beleza das coisas, das pessoas, sou curioso e demorado na abordagem aos temas, tento mudar a perspectiva e ângulo de visão dos assuntos.
A interação aberta e disponível com as pessoas, tentando apreender e inteirar-me da suas condições de vida, é algo que faço frequentemente.

8 – Qual foi a sensação ao saber que, pela primeira vez, um trabalho seu ia ser exposto?

Desde 1976 os meus trabalhos são expostos e participam em concursos, por vezes com resultados gratificantes.
Realizei e participei, respectivamente, exposições individuais e colectivas.
Embora fotografe por prazer e paixão, o meu objectivo principal é partilhar as interpretações e as imagens com a sociedade.

9 – No âmbito da sua carreira, seja ao nível de autor ou comercial, qual ou quais os projectos que ainda tem na gaveta, mas que têm de ser feitos?

Um fotógrafo deve expor os seus trabalhos, seja de forma individual ou colectiva.
A passagem da virtualidade à realidade é uma “prova de fogo” a ser testada, como forma de se atingirem outros patamares da realização pessoal e produção fotográfica.
Os estímulos obtidos pela visualização, apreciação e discussão dos trabalhos são fundamentais e contribuem para o “crescimento interpretativo” do fotógrafo.
Tenho em projecto alguns trabalhos individuais e colectivos e que a seu tempo serão divulgados.

10. Descreva a fotografia de rua favorita que fez. Quando e onde tirou a foto, e porque é especial para si?

Sinceramente tenho dificuldade em selecionar apenas uma foto.
Contudo, embora imagine que algumas imagens estarão mais conseguidas que outras, destaco, entre as realizadas recentemente, uma que me apaixona e é especial para mim por vários aspectos, mas sobretudo por ser um registo de movimento pleno e definitivo inserido numa composição interessante. A imagem intitula-se “…o pulo…”

11. Algumas palavras sobre as suas “Ferramentas” de trabalho?

Utilizo duas máquinas da marca Canon, a G10 e a 60D.
A G10, silenciosa e potente, em variadas circunstâncias revela-se fundamental e crucial pela sua descrição e pouca aparente relevância, não constituindo com isso uma “ameaça” à legítima privacidade das pessoas.Utilizo-a tanto em exteriores como em interiores.
A Canon 60D possibilita outras opções na selecção de “settings”, é mais rápida e adequa-se ao trabalho de exterior quando não existem limitações ambientais ou sociais.
A angular 35mm agrada-me e tento utilizá-la cada vez mais para assim fotografar mais próximo das pessoas.

12. Que “Dicas” daria aos aspirantes a fotógrafos de rua?

A fotografia, independentemente do tema e tipo, sai da sensibilidade e da experiência pessoal e social do fotógrafo.
A expressão de “narrativas” não convencionais é crucial.
A criatividade e inovação, quer na forma, quer no conteúdo, devem ser preocupações constantes no criador de imagens fotográficas.
A fotografia como arte, interpretação e metáfora das “coisas” e da vida, pode transportar-nos para melhores patamares de evolução pessoal.
A partilha e interação com os outros permite-nos obter estímulos que nos ajudam a melhorar a vida pessoal e o trabalho fotográfico.
A magia da fotografia está na possibilidade de contemplarmos uma imagem fixa, sem que ela se desvaneça ou dê lugar a outras imagens.
É imensa a liberdade que pressupõe o acto de nos podermos expressar artisticamente.
Somos do “tamanho” daquilo que sentimos e conseguimos expressar.

Ligações:

olhares.sapo.pt/fidalgopedrosa

Adicionar comentário

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.


© 2017 Fotografia de Rua | Todos os direitos reservados | Oficina dos Sites