Entrevista Pessoa N Beat

Entrevista Pessoa N Beat

Entrevista ao Pessoa N Beat para o fotografiaderua.com.

QUANDO E COMO FOI O SEU PRIMEIRO CONTATO COM A FOTOGRAFIA?

A primeira foto que fiz, que considero artística, foi há 20 anos atrás –  um auto-retrato, apaguei as luzes, máquina numa mão, candeeiro noutra, apontei ao meu rosto e fiz algo bem sombrio e sinistro.

DESDE ENTÃO FOI UM PROCESSO CONTÍNUO ATÉ HOJE OU HOUVE INTERREGNOS?

O gosto por imagens sempre foi contínuo. Contudo, em termos de aplicação prática, devido à limitação do analógico, nunca foi desenvolvido, pode-se dizer que houve um interregno. Em 2006, adquiri uma máquina compacta-digital, mas, em termos mais “artísticos”, só comecei a publicar em 2008, num site nacional com divulgação internacional. Aí, fiz grande parte da minha evolução “artística”, foi a minha base de estudo, de experiências e de feedback aos trabalhos apresentados.

COM QUE ÁREA DE FOTOGRAFIA MAIS SE IDENTIFICA OU PREFERE TRABALHAR?

A fotografia com que mais me identifico é a de rua, sempre que possível com uma componente gráfica, visando mais a arquitetura que envolve os espaços que percorro.

O QUE DESEJA TRANSMITIR ATRAVÉS DA SUA FOTOGRAFIA?

Desde sempre gostei de associar as imagens a músicas que gosto. Procuro com os títulos de músicas transmitir a leitura que faço de determinada “cena”, dar um sentido, gosto bastante de mexer com o imaginário dos “leitores” das minhas criações. Nessas,também  procuro colocar “personagens” para criar uma história/ficção e ajudar a transmitir a dimensão do espaço urbano.

QUANDO ESTÁ NAS RUAS A FOTOGRAFAR, O QUE O INSPIRA, CATIVA, A CAPTURAR UMA DETERMINADA CENA OU IMAGEM?

Sem dúvida que o gosto pela arquitetura me inspira. Tento sempre obter o máximo de grafismos urbanos. Quando fotografo individualmente, a música, que ponho no leitor mp3, serve-me de inspiração. Por várias vezes, ao fazer a captura, tento associar uma determinada música a uma imagem, ou vice-versa, e, por vezes mentalmente, penso no título e crio uma “história”.

COMO SENTE E PRATICA A FOTOGRAFIA DE RUA?

Em 2008-09 a fotografia era mais baseada em abstratos, grafismos com base em arquitetura, muitos deles em locais fechados. Só em 2010, com uma série de saídas com mais fotógrafos, dos quais destaco o grupo do “Amanhecer violento”, assim como com o Vitor Tripologos e a sua  forma natural de fazer fotografia por becos e ruelas, num Porto menos turístico, é que senti a vontade de sair de casa e ganhar coragem para enfrentar esses locais que, na altura, pareciam tão sinistros e distantes. Atualmente, com o Grupo GO UP (Grupo Olhares Unidos do Porto) , a fotografia de rua que pratico tem por base raides fotográficos aos sábados, esta sinergia tem resultado bastante bem, a troca de experiências técnicas e formas de olhar o que nos rodeia diferentes, leva a um “mix” que, de certa forma, tem originado trabalhos que, segundo o feedback recebido, são de considerável impacto visual.

DESCREVA A FOTOGRAFIA DE RUA FAVORITA QUE FEZ. QUANDO E ONDE TIROU A FOTO, E PORQUE É ESPECIAL PARA SI?

A minha fotografia de rua favorita foi tirada em Março 2011, na Trindade-Porto. Foi numa das saídas do grupo GO UP. Nesse local, reparei que havia manchas de água no chão, pois nessa manhã tinha chovido. Nesse momento, vislumbrei uma boa oportunidade. O local para se obter uma perspetiva mais favorável foi escolhido e fiz várias capturas com diversas pessoas. Decidi que o enquadramento deveria ser sempre o mesmo, o de alguém a deslocar-se, da direita para a esquerda. Surgiu um senhor com gabardina preta e com um ar sinistro, foi o ideal para o que pretendia… esperei o passo certo, no local certo.  O buraco com grade que se visualiza é o respiradouro do Metro – http://1x.com/#!/photo/40069/portfolio/40976

A foto é especial porque é a que representa o meu estilo favorito, e por representar todos os momentos que me levaram até ao surgir da mesma.

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE AS SUAS “FERRAMENTAS” DE TRABALHO?

Atualmente tenho uma reflex e objectiva 18-270mm. Apesar da crítica, normalmente, não ser favorável a tal amplitude, tenho-me dado bem, quer devido à edição que faço, quer por as imagens serem basicamente de rua. Para mim, é mais confortável não ter de mudar de objetiva constantemente e, com isso, ganhar mais em termos de uma rápida reação a qualquer eventual situação. Fotografo em formato Jpeg+Raw, evitando as conversões, só em extrema necessidade é que faço a passagem pelo Camera Raw, mas o habitual é passar de imediato para a edição com o software Photoscape.

QUE “DICAS” DARIA AOS ASPIRANTES A FOTÓGRAFOS DE RUA?

– Quando comecei a ver fotografia, acompanhei o trabalho de vários autores, escolhi os que representassem diferentes tipologias de fotografia, desde paisagem natural a macros. Aprendi, sempre que possível, a relacionar o EXIF/Técnica, com a imagem que via. Por último, tentava pôr em prática essas aprendizagens. Todas estes estilos de fotografia, minimamente controlados tecnicamente, são uma mais valia para fazer fotografia de rua.

– A própria fotografia de rua tem “sub-estilos”, encontrem o vosso, com o qual se sentem mais “confortáveis” e vão aperfeiçoando a técnica e o olhar com o máximo de prática, se possível com boa companhia, bons clicks!!!

Ligações:

http://pessoanbeat.blogspot.pt/
https://www.facebook.com/ColetivoGOUP
http://www.fineart-portugal.com/author/246/photos

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